10 de ago de 2009

O peso que a gente leva...

Fala gente, a paz de Cristo! Puxa, gostaria muito de agradecer pela presença de todos no primeiro encontro desse semestre, foi muito, muito gratificante mesmo. Muito obrigado, afinal de contas esse grupo é de vocês, e espero de coração que o grupo cresça e prospere muito!

Bom, pra esse primeiro post, eu selecionei um texto muito bonito do Pe. Fábio de Melo. O homem realmente sabe usar as palavras, é incrível, hahaha. Ele tem uma enorme sensibilidade com as coisas, e fala da vida como ninguém. Não é a toa que seu disco se chama Vida. Aí vai:

O peso que a gente leva...

Há coisas que quero levar, mas não podem ser levadas

Olho ao meu redor e descubro que as coisas que quero levar não podem ser levadas. Excedem aos tamanhos permitidos. Já imaginou chegar ao aeroporto carregando o colchão para ser despachado?

As perguntas são muitas... E se eu tiver vontade de ouvir aquela música? E o filme que costumo ver de vez em quando, como se fosse a primeira vez?

Desisto. Jogo o que posso no espaço delimitado para minha partida e vou. Vez em quando me recordo de alguma coisa esquecida, ou então, inevitavelmente concluo que mais da metade do que levei não me serviu para nada.

É nessa hora que descubro que partir é experiência inevitável de sofrer ausências. E nisso mora o encanto da viagem. Viajar é descobrir o mundo que não temos. É o tempo de sofrer a ausência que nos ajuda a mensurar o valor do mundo que nos pertence.

E então descobrimos o motivo que levou o poeta cantar: “Bom é partir. Bom mesmo é poder voltar!” Ele tinha razão. A partida nos abre os olhos para o que deixamos. A distância nos permite mensurar os espaços deixados. Por isso, partidas e chegadas são instrumentos que nos indicam quem somos, o que amamos e o que é essencial para que a gente continue sendo. Ao ver o mundo que não é meu, eu me reencontro com desejo de amar ainda mais o meu território. É consequência natural que faz o coração querer voltar ao ponto inicial, ao lugar onde tudo começou.

É como se a voz identificasse a raiz do grito, o elemento primeiro.

Vida e viagens seguem as mesmas regras. Os excessos nos pesam e nos retiram a vontade de viver. Por isso é tão necessário partir. Sair na direção das realidades que nos ausentam. Lugares e pessoas que não pertencem ao contexto de nossas lamúrias... Hospitais, asilos, internatos...

Ver o sofrimento de perto, tocar na ferida que não dói na nossa carne, mas que de alguma maneira pode nos humanizar.

Andar na direção do outro é também fazer uma viagem. Mas não leve muita coisa. Não tenha medo das ausências que sentirá. Ao adentrar o território alheio, quem sabe assim os seus olhos se abram para enxergar de um jeito novo o território que é seu. Não leve os seus pesos. Eles não lhe permitirão encontrar o outro. Viaje leve, leve, bem leve. Mas se leve.


Fonte: http://www.cancaonova.com/portal/canais/formacao/internas.php?id=&e=11541

Acessem esse canal Formação do site da Canção Nova, é realmente muito interessante, há textos fantásticos.

É isso aí gente, um abraço a todos, e fiquem com Deus!

Um comentário:

  1. Olá, bom, queria dizer que se agradecem minha presença no Grupo, eu agradeço a presença do Grupo (nisso incluindo todo mundo) na minha vida! É mais gratificante ainda a mim, que penso que acabei de iniciar nessa 'jornada', ver que ali posso encontrar amigos e companheiros de caminhada!

    Ahh, Pe. Fábio de Melo tem um dom de, com as palavras, tocar o coração de cada um de alguma forma, muitas vezes nos fazendo recordar de momentos importantes que passamos ou nos ensinando um valor, uma lição, uma virtude. Só nesse texto consegui os dois!! É interessante falar sobre o partir e o retornar. E ler esse texto me fez pensar muito na minha volta à Igreja e à fé (se é que um dia eu saí, mas infelizmente, as deixei em 2º plano). Quando "parti", não tive medo, confesso que nem percebi. Mas o retorno foi também o encontrar com um mundo que eu não imaginava, mas sempre quis! Ele foi o momento para perceber o tempo perdido andando por caminhos que não me levavam a lugar algum, e ao mesmo tempo ver que agora eu encontrei o melhor de todos: o caminho certo. E foi fora que me dei conta do quanto esse mundo me encanta, me permite ser o que sou de verdade e me faz ver, sentir e dizer coisas que nunca fui capaz! Nesse caso posso ver que partir foi um erro, mas que foi só à partir dele que eu pude retornar!

    Que isso, já escrevi demais, era pra ser só um comentário.. acho que exagerei! hahaha
    Beijos, fiquem todos com Deus!

    ResponderExcluir

Não seja tímido(a), comente!